Declarações de Maria Victoria Benevides
Maria Victoria Benevides, uma das fundadoras do Partido dos Trabalhadores (PT), fez críticas contundentes ao atual direcionamento da legenda, apontando que houve um abandono do trabalho de base pelo PT em favor de uma política focada em cargos burocráticos. Em uma entrevista recente, a cientista política de 84 anos enfatizou a importância da participação popular e de iniciativas que conectem o partido às comunidades, ressaltando que a aproximação com a população tem sido negligenciada.
Benevides, que está filiada ao PT desde sua fundação em 1980, manifestou descontentamento com a diminuição da presença de grupos de bairro, que eram comuns nas décadas passadas. Segundo ela, na atualidade, a política oficial tem se concentrado excessivamente na gestão de cargos administrativos, esquecendo-se do papel fundamental das mobilizações comunitárias.
Exemplos de mobilização comunitária
Como exemplo da relevância de um trabalho de base efetivo, Maria Victoria Benevides mencionou o Movimento de Saúde da Zona Leste, que ocorreu nos anos 1970 em São Paulo, organizado por mulheres. Esse movimento serviu como uma poderosa ferramenta de mobilização e presença no seio da comunidade, demonstrando o potencial e a eficácia das ações comunitárias no fortalecimento da conexão entre o partido e a população.

Além disso, a professora ressaltou a atuação das igrejas evangélicas. Segundo ela, essas instituições têm conseguido manter um contato próximo com seus fiéis, desenvolvendo atividades que promovem integração social e comunitária, algo que o PT deveria considerar para revitalizar seu trabalho de base. A crítica de Benevides não é apenas uma reflexão pessoal, mas um apelo por uma mudança na forma como o partido interage com as suas bases.
Críticas ao atual cenário político
Na mesma entrevista, a petista histórica também teceu considerações sobre as relações entre integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF) e os representantes do grande capital, afirmando que essa dinâmica colabora para o descrédito da instituição. Ao longo de sua carreira, Benevides tem atuado em diversas frentes de defesa dos direitos humanos, e sua participação no PT foi marcada pela busca por uma política mais inclusiva e conectada às demandas da população.
Com essa visão crítica, Maria Victoria Benevides reafirma a necessidade urgente de que o PT retome seu compromisso com o trabalho de base, evitando a perpetuação de um ciclo de distanciamento entre a legenda e as comunidades que deveria representar. Sua proposta é um convite à reflexão não apenas para o partido, mas para o cenário político brasileiro como um todo, onde a construção de pontes entre os políticos e a sociedade civil é mais necessária do que nunca.

Técnico em guia de turismo; Estudante de Jornalismo, editor e revisor.
