Mudança de posição de Flávio Bolsonaro
No dia 13 de outubro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciou que irá votar a favor do fim da escala 6×1, após meses de oposição a essa proposta. Essa mudança de posição ocorreu surpreendentemente a 12 dias da segunda rodada das eleições presidenciais, depois de uma visita ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Anteriormente, Flávio havia classificado a iniciativa como oportunista e sugerido que a votação fosse adiada até depois das eleições.
O senador agora afirma que seu apoio à medida se fundamenta na vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros. No entanto, ele não apresentou um plano detalhado sobre como seu governo iria ajudar os empresários a suportar os custos da redução da jornada de trabalho, mesmo enquanto defendia que essa mudança seria benéfica.
A resistência contra a proposta de redução da jornada
O histórico de resistência de Flávio em relação ao fim da escala 6×1 é notório. Em várias ocasiões, ele expressou preocupações sobre a redução da jornada de trabalho. Em maio, Flávio afirmou em uma reunião que a proposta poderia acarretar em “desemprego em massa” e aumento do custo de vida, desconsiderando a possibilidade de um impacto econômico negativo.

Em 28 de maio, Flávio se tornou coautor da PEC 12/2026, que permitia a contratação com salários proporcionais e não garantia a redução da jornada para 40 horas. Essa proposta, se aprovada, poderia resultar em uma remuneração menor para trabalhadores que atuassem menos horas. Além disso, diversos aliados de Flávio também demonstraram apoio a propostas que adiavam a votação da redução da jornada, citando que isso favoreceria a candidatura do presidente Lula.
Ao decorrer desses meses, Flávio sinalizou várias vez que a votação deveria ser postergada. Em 6 de outubro, próximo ao primeiro turno eleitoral, criticou novamente a proposta do governo, classificando-a como oportunista. Mesmo assim, a questão do fim da escala 6×1 continuou a ser um tema central nas discussões eleitorais.
A troca de apoio em tão pouco tempo levantou questionamentos sobre a autenticidade de sua mudança de posição, especialmente pela contradição entre suas alegações anteriores e o novo discurso de apoio que emergiu sob a pressão das manifestações populares em favor do fim da escala 6×1. O cenário revela a complexidade nas articulações políticas em tempos de campanha, onde as propostas e posicionamentos podem mudar rapidamente conforme as demandas eleitorais.

Técnico em guia de turismo; Estudante de Jornalismo, editor e revisor.
