Políticos revelam rede paralela na Meta não declarada ao TSE

Diversos políticos brasileiros estão utilizando redes sociais com contas não declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Essas contas de apoio, que operam em paralelo às oficiais, têm o potencial de influenciar o alcance das campanhas.

Verificação de perfis paralelos de apoio

Nas eleições deste ano, muitos candidatos têm adotado uma estratégia em comum: além de suas contas oficiais nas redes sociais, declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), eles contam com uma rede paralela de perfis de apoio. Esses perfis alternativos, que replicam parte do conteúdo dos políticos, funcionam como um verdadeiro “exército” digital, ampliando o alcance das mensagens por meio de menções cruzadas e postagens simultâneas.

O caso de Flávio Bolsonaro, candidato à presidência, é particularmente notável. Ele possui ao menos sete perfis de apoio não declarados ao TSE, cada um com mais de 100 mil seguidores, totalizando mais de 2,5 milhões de seguidores em sua rede paralela. Em contraste, seu perfil oficial declarado ao TSE possui 14,8 milhões de seguidores.

rede paralela

Estratégias de campanha em redes sociais

Esses perfis paralelos não apenas fazem propaganda com o número de urna de Flávio, mas também divulgam links para suas contas oficiais, criando uma rede de conexões que favorece a visibilidade do candidato. Em um exemplo recente, uma conta de apoio com mais de 770 mil seguidores postou um vídeo da entrevista de Flávio para a Rede Globo apenas minutos depois de seu perfil oficial, exibindo o mesmo conteúdo de forma quase idêntica.

Além de Flávio, outros políticos, como o deputado federal André Janones, também utilizam essas contas de apoio. Janones, que é um dos principais responsáveis pela estratégia digital de Lula, criou um perfil no Instagram que não foi declarado ao TSE. Essa página, criada em 6 de outubro deste ano, possui 1,6 milhão de seguidores e divulga o canal de WhatsApp do “Exército de Lula”, onde são compartilhadas diretrizes para engajar a favor do candidato.

A falta de transparência nas plataformas, em especial na Meta, complica a fiscalização dessas campanhas. Muitas vezes, anúncios pagos circulam sem etiquetagem clara de conteúdo político, dificultando a identificação dos patrocinadores. Isso também se aplica aos perfis de apoio, que não podem, segundo a legislação, realizar impulsionamento de conteúdo eleitoral se não forem oficialmente reconhecidos pela campanha.

A advogada Caroline Lacerda explica que as contas alternativas são uma resposta direta à regra do TSE que proíbe a recomendação de perfis oficiais. Portanto, criar essas redes paralelas se torna um método lícito e estratégico de contornar limitações e ampliar o alcance das campanhas.

A situação evidencia como a falta de regulamentação clara sobre essas práticas resulta em um campo fértil para potenciais abusos no uso das redes sociais para a propaganda eleitoral. O pesquisador em direito eleitoral, Fernando Neisser, reforça que a ausência de controle adequado por parte da Meta amplia as dificuldades na fiscalização desses perfis, levando a preocupações sobre a integridade do processo eleitoral.